Ensinar a pensar: um processo emancipatório
O pressuposto de que “conhecimento não é apenas crítico é principalmente autocrítico” (Demo, 2004:24) impulsiona a realização de diferentes metodologias em sala de aula, visando a superação do procedimento transmissivo do paradigma instrucionista. Nestes termos, será apresentada a atividade de reescrita da palestra Gestão de Pessoas com Maria Aparecida Shiratto.
A atividade foi desenvolvida em etapas bem definidas em sala de aula, iniciando com a observação atenta da projeção do vídeo, seguido de registros individuais dos aspectos da palestra e, por fim reunião em pequenos grupos para sistematização das anotações individuais e elaboração de uma entrevista simulada - perguntas e respostas - para Maria Aparecida.
Você conhecerá este trabalho dos acadêmicos de pós-graduação do CAPEM-MA, na disciplina Gestão Educacional: Problemas e Perspectivas, lendo a seguir a simulação de entrevista com Maria Aparecida.
SIMULAÇÃO DE ENTREVISTA COM MARIA APARECIDA SHIRATTO:
PROFESSORA: Você pode até eleger uma amiga para ser a sua confindente, psicóloga…Mas, não avance o sinal para toda uma comunidade escolar para não correr o risco do estigma da falta de profissionalismo.
SAMARA: Ainda me referindo ao professor problemático, será que além este professor não é uma pessoa que adoece ou que alguém da família adoece ou sai mais cedo e precisa faltar?
PROFESSORA: É certo que o professor tem problemas e necessita faltar, contudo que estes fatos não se tornem hábitos, mostrando assim o descompromisso do professor com o seu ofício.
SAMARA: Você diz que o funcionário não deve vestir a camisa para evitar decepções futuras. Mas será que a dedicação destes funcionário não vai diminuir, uma vez que a escola não corresponde às expectativas?
PROFESSORA: O professor não deve ‘vestir a camisa’ da escola para que não venham a ser magoados e depois ter razões para ‘rascar’ a camisa. O professor deve ‘vestir a camisa’ do profissionalismo da sua capacitação, ‘vestir a camisa’ do seu ofício para assim desenvolver a educação onde quer que esteja atuando.
EQUIPE: Lucimary Vale Belo, Maria Clemilde Soares Pereira, Maria Raimunda S. Silva, Marlete N. Mendes de Macedo e Marineide Viana Lima.
PROFESSORA: Que ele faça uma reopção do ofício caso ele não se encontre mesmo deste ofício procure outro. Caso ele tenha algum ponto positivo, invista, onde falou que valerá à pena.
EQUIPE: De acordo com a atual situação onde o direito dos professores não são respeitados, como você diz que se tem que ‘escolher a música que se quer dançar’.
PROFESSORA: Apesar do professor ser conduzido pela sua prática, ele ainda é dono da sua personalidade, ainda é capaz de fazer a diferença basta ter caráter, sensibilidade e objetividade.
EQUIPE: No contexto educacional, explique os dois grandes fenômenos que ocorrem na escola: o profissional subaproveitado e o superaproveitado.
PROFESSORA: O profissional superaproveitado é aquele que tem pouca competência técnica e muita competência política. É aquele que gosta de improvisar, é populista e simpático. Por sua vez, o profissional subaproveitado é aquele que pensa que ninguém o valoriza, é o magoadão, possuindo pouca competência política.
PROFESSORA: Consiste em disputar meios, valores, partindo do princípio do compromisso com o próprio ofício e acima de tudo realizar um trabalho competente, sendo atuante e investindo em si mesmo.
EQUIPE: No contexto atual, qual as alternativas que ajudariam na conquista da melhoria da postura profissional dos professores?
PROFESSORA: Destaco dois aspectos que poderiam ajudar para a melhoria do desempenho profissional: uma formação sólida do profissional para o mercado de trabalho e a tolerância em reconhecer o direito do outro.
PROFESSORA: O professor deve se afirmar como profissional assumindo a sua responsabilidade, estando sempre em formação e, principalmente, sentindo-se realizado no que faz, pois se ele cumprir as obrigações somente para fazer parte da ‘família’ quando surgir o primeiro problema os ‘laços familiares’ serão desfeitos.
EQUIPE: É muito comum em grandes empresas nos depararmos com pessoas que se cercam de outras para tirar proveito de suas habilidade e acabam atrapalhando o bom funcionamento do trabalho. Como o gestor deveria agir com estes profissionais?
PROFESSORA: Estas pessoas podem ser denominadas de ‘chupistas’. Pois não tendo competência técnica passam a ‘usar’ a inteligência dos outros. Diante deste fato o gestor deve sugerir uma agenda de estudos para que este profissional possa aprender algo que realmente seja necessário para a sua formação e o bom desempenho da escola (empresa).
EQUIPE: A rede pública de ensino do Estado do Maranhão, especialmente, no município de São Luís oferece aos professores seminários, cursos para a formação continuada, no entanto, grande parte dos professores só participa para acumular títulos e consequentemente aumentar o salário. Qual a sua opinião em relação a isso?
PROFESSORA: O professor deve conscientizar-se que deve partir dele a necessidade de buscar o aperfeiçoamento, sendo que este conhecimento será necessário no desempenho profissional, aliando assim o ganho de conhecimento e, como consequência virão as vantagens financeiras.
PROFESSORA: O aspecto privado é sagrado, não podemos expor nossa vida publicamente. Por sua vez, no aspecto público, o indivíduo tem que compromisso, competência, ética e responsabilidade pelas suas ações.
EQUIPE: Como pode ser caracterizada uma boa gestão de pessoas?
PROFESSORA: Em primeiro lugar, destaco o compromisso profissional aliado à competência técnica. Além disso, o comportamento ético, tendo responsabilidade pelas ações. É necessário ter um olhar amplo e afetivo para tratar os problemas existentes e os que poderão surgir.
EQUIPE: Destacamos dois grandes valores para a gestão escolar a empatia e a tolerância, pergunta-se: como devemos trabalhar esses valores?
PROFESSORA: Reconhecendo e respeitando o direito de todos. Além disso, é necessário cuidar do corpo docente, promovendo a reavalização constante de suas competências técnicas, políticas e pedagógicas e de todos que atuam na escola.
PROFESSORA: Em primeiro lugar, seria tomar posse do seu próprio ofício, exercendo suas funções com competência e, principalmente, competência profissional. Além disso, precisa investir em sua profissão por meio de uma formação e capacitação permanente.
CONCEIÇÃO: Você destaca as diferentes formas de administrar, apontando para a questão de gênero e do olhar masculino e feminino. Você pode comentar estes aspectos, por favor.
PROFESSORA: Sabemos que ainda hoje o que impera nos meios administrativos é o olhar masculino que se cerca de racionalidade, objetividade, pragmatismo e lógica. Enquanto que o olhar feminino é carregado de sensibilidade, criatividade e afetividade, proporcionando assim uma gestão qualitativa e de ótimos resultados.
MARINETE: Com as transformações sociais a escola tornou-se uma empresa onde alunos são clientes dotados de poderes que, na maioria das vezes, decidem sobre o posicionamento do educador. Em sua opinião, que atitudes deveriam ser tomadas para gerenciar de forma positiva a relação entre professores e alunos, já que estamos em uma sociedade capitalista.
PROFESSORA: Seria necessária a valorização de ambos por meio de momentos de trabalho de ‘humanização’ dos processos pedagógicos, dissipando assim esta visão capitalista do aluno e a visão de servil do professor.
MARINETE: A escola como instituição social reproduz saberes e a desigualdade presente na sociedade. De que forma poderia ser desmistificada tal ideologia?
PROFESSORA: A escola deveria voltar-se para o crescimento do educando como indivíduo dotado de capacidades através de atividades não competitivas, transformando-os em pessoas críticas da sua própria história.
MARINETE: A família é de suma importância no desenvolvimento da criança. Porém, esta instituição vem transferindo a responsabilidade de cuidar da criança para a escola, descaracterizando-a do seu papel. Qual a sua opinião sobre este fato?
PROFESSORA: Este problema é muito complexo. Aponto para a possibilidade de desenvolver atividades integradoras entre pais, filhos e comunidade. Deve-se questionar o papel da família na educação dos filhos e a sua importância para o desenvolvimento do educando.
EQUIPE: O professor enquanto profissional, muitas vezes, sente-se retraído quanto ao seu desempenho profissional. Mediante esta constatação, pergunta-se: o professor deve fazer uma reopção ou adequar-se a todo custo a realidade que o oprime?
PROFESSORA: Acredito que este professor precisa fazer urgentemente uma reopção. Veja bem, para ser um bom profissional é necessário dominar com dinamismo o seu ofício em sala de aula, tendo alegria em ensinar para que o aluno possa ter prazer
EQUIPE: Qual deve ser o posicionamento do gestor escolar diante de um funcionário que usa sua popularidade para obter vantagens ou então com um funcionário que expõe sua vida pessoal, pondo em risco todo corpo técnico desta instituição?
PROFESSORA: Podemos observar que são funcionários com aspectos distintos no comportamento, porém comungando do mesmo objetivo: obter vantagens. No primeiro caso, afirmo que deve buscar mais profissionalismo, competência técnica. Com relação ao segundo, devemos esclarecer que a vida privada deveria ser considerada sagrada, por isso, distinta da vida profissional.
EQUIPE: como você definiria o olhar feminino na gestão escolar, comparando-o com o olhar masculino que imperou por muito tempo nas organizações?
PROFESSORA: Bom na gestão escolar, os olhares deveriam caminhar em parceria, destacando-se que o olhar feminino é mais sensível e tolerante. Por sua vez, o olhar masculino é mais racional, direcionado e concentrado, sendo de grande importância na instituição escolar. Ambos olhares implicam competência técnica, responsabilidade e compromisso, gerando bem estar aos profissionais da educação, em especial aos alunos.
RESUMO PRODUZIDO PELAS ALUNAS Tatiane Cordeiro e Maria das Graças:
O vídeo apresentou a palestra com Maria Aparecida e teve como abordagem principal a Gestão de Pessoas em seu ambiente profissional, levando-nos de imediato à reflexão de nossa prática pedagógica e por que não dizer de nossa prática cotidiana.
Percebeu-se na palestra o quanto é difícil ser gestor e o quanto também é importante tomar posse de nosso próprio ofício. Maria Aparecida destacou que precisamos “tirar a camisa da escola” e fazermos uma reopção pela nossa profissão, além de investir em nos mesmos para que possamos ter ganho de competência técnica e política e assim estarmos confortavelmente instalados em nosso próprio ofício. É preciso saber administrar não somente a nossa vida privada, mas também de nossos alunos para que nossos problemas e nem os dos outros se tornem públicos, zelando pela nossa imagem, sendo tolerantes e dando aos outros o que eles precisam e não o que achamos que merecem.
Faz-se necessário agora olharmos para dentro de nós mesmos, pois acredita-se que nunca é tarde mudar.
COMENTÁRIO: Profa Francinete Braga Santos
“O professor é figura decisiva do processo de aprendizagem, ocupando entretanto, lugar de apoio e motivação, orientação e avaliação, não o centro do cenário” (Demo, idem. p: 14). Por isso, este procedimento didático é emancipatório no sentido de buscar a reconstrução do conhecimento por meio do envolvimento do aprendiz na atividade e, principalmente dando visibilidade à sua produção - a exemplo desta publicação no NovoAcesso, respeitando a autoria do aluno e reforçando o papel de mediador do professor.
CONTATOS COM A PROFESSORA MARIA APARECIDA:
Celular: 011- 7623-7810; Escritório: 011 - 5573-5124; E-mail: marheins@uol.com.br
REFERÊNCIA:
DEMO, Pedro. Professor do futuro e reconstrução do conhecimento. 4.ed. São Paulo: Vozes, 2004.



Muito obrigada, Francinete, fico muito feliz em estar sendo útil para o seu trabalho. (…) Estou à sua disposição e pode repassar os meus contatos para outros colegas, sem dúvida. Meu celular é 011- 7623-7810, meu escritório 011 - 5573-5124.
Um grande abraço e muito sucesso na sua escola.