Eu, o outro e a coletividade compartilhada.
Eu, o outro e a coletividade compartilhada.
Francinete Braga Santos*
O pensar inquietante como prática de reflexão não alienante.
O pensar reflexivo não confundido com o pensar descomprometido com o sentido lógico das idéias.
Na complexidade da escrita sobre o eu, o outro e a coletividade.
E afirmar-se:
A percepção do outro está condicionada a percepção que temos de nós mesmos.
O olhar é direcionado.
A atenção é sensorial e escravizada pelo olhar, ouvir, cheirar, tocar e degustar.
Fica presa.
É necessário romper com o condicionamento por meio da reeducação individual.
Mas, é claro que: “[…]a educação uma totalidade ‘uma síntese de múltiplas determinações’
“a realização plena do homem (omnilateriedade), libertá-lo”
‘Numa perspectiva progressista e transformadora’
Uma concepção emancipatória da educação
A vida em sociedade e a capacidade de superação exigida do indivíduo na adaptação às mudanças impostas. Mas, “todos os homens são intelectuais […] mas na sociedade nem todos têm uma função intelectual”
Uma sociedade reeducada na percepção humana do eu e do outro.
A felicidade.
É uma utopia.
O ser humano nasceu para ser feliz.
Utopia é um sonho.
A realidade é uma utopia concretizada através do trabalho desenvolvido pelo gênero humano.
Inventos, fórmulas, projetos… materializados
A felicidade em (comum)unidade de sonhos concretizados para uns poucos
E (des)humanidade de sonhos utópicos para muitos.
O sonho concretizado
E
O pesadelo materializado em injustiça, traduzida em fome, desemprego, doenças e guerras.
Reeducar os sentidos para alargar para o ato de enxergar, de escutar, de impregnar-se pelos cheiros e odores, de tocar e sentir com a pele, de degustar e experimentar sensações diferentes.
Verdadeiramente…
Experiência de sentir não o que falta e sim o que sobra para o eu (indivíduo)
Mas para o que falta para o eu coletividade.
Experimente. Sinta as ausências.
da luz… do som… da sensibilidade tátil… da comida no prato… da roupa no corpo… do conhecimento na mente.
Experimente. Valorize.
Pense na vida em oposição a morte…
Reveja os conceitos e os pré-conceitos.
Liberte-se.
A liberdade não como uma apropriação individual.
“O importante para a liberdade de cada um é saber como cada indivíduo singular conseguirá incorporar-se ao homem coletivo […]”
Ser livre. Ser corajoso em assumir a limitação humana de ser dependente.
E, finalmente…
Sou o outro. Eu não sou eu?
O verbo aqui é tornar-se.
Torno-me eu quando compreendo a minha condição humana no existir como soma… fruto… projeto…
Tornando-me concreto e, essencialmente, humano.
Ser traduzido.
Ser gerado… gestado… esperado… sonhado…
e
omnilateral.
O eu é mais que um. O eu sou dependente e carente.
O eu opressor e oprimido.
Sou gente e, às vezes demente.
Em uma realidade dependente do álcool, do entorpecente, da munição, da máscara, de outra identidade para vender liberdade.
Para vender sensações do teor, da dose, do calibre, da sombra, do nome, da marca que ofusca a felicidade coletiva.
Liberdade de cara limpa, sem máscaras, sem doses, sem brasões. sem autoritarismos.
A questão é o tempo, a intensidade, a idade, a necessidade, a humanidade construída, destruída, reconstruída.
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*Pedagoga. Especialista. Educadora. Mãe. Filha e um ser humano em construção.


