I Seminário de Psicologia do Desenvolvimento


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O Seminário foi realizado no dia 12/02/05 como tarefa de conclusão da disciplina Psicologia do Desenvolvimento do Curso de Pedagogia do Instituto de Filosofia e Ciências Religiosas.

I SEMINÁRIO - O FAZER PEDAGÓGICO: CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA
A realização do Seminário O fazer pedagógico: contribuições da Psicologia pelos alunos do terceiro período do curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia e Ciências Religiosas – IFCR/MA traduziu o desafio de criar vínculo entre teoria e prática, visando a tomada de posição crítica, o favorecimento da conquista de maior autonomia intelectual dentro da sala de aula e a compreensão da importância do estudo da Psicologia do Desenvolvimento para o trabalho do professor. (Profª Francinete Braga Santos)

Por sua vez, destaca-se Psicologia Escolar pela aplicação dos conhecimentos psicológicos, sobretudo da Psicologia da Aprendizagem, da Psicologia do Ensino e da Psicologia do Desenvolvimento à área escolar. Assim, a Psicologia do Desenvolvimento pode ser entendida como a área parcial da Psicologia que se ocupa do desenvolvimento do indivíduo (ontogênese) ou de inteiras classes de indivíduos (filogênese), na medida em que esse desenvolvimento se refere à mudança de características psíquicas ou exerce influência sobre tais mudanças.

As pesquisas psicológicas acerca do comportamento humano têm larga utilização na Educação como forma legitimar o esforço reconstrutivo do aluno, que precisa pesquisar, elaborar, reconstruir conhecimento com qualidade formal e política em um ambiente humano favorável, no qual se destaca o papel do professor, favorecendo a tomada de posição crítica frente aos aspectos fundamentais da compreensão do aluno, do professor e do processo de aprendizagem.

Certamente que esta compreensão das necessidades do aluno, das suas características individuais e do seu desenvolvimento nos aspectos físico, emocional, intelectual e social evidenciam que o aluno não é um ser ideal, abstrato. É pessoa concreta, com preocupações e problemas, defeitos e qualidades e em formação, precisando ser compreendido pelo professor e pelos demais profissionais da escola, a fim de que tenha condições de desenvolver-se de forma harmoniosa e equilibrada.

Entretanto, para o professor, não é suficiente conhecer o aluno. É necessário que saiba como funciona o processo de aprendizagem, quais os fatores que facilitam ou prejudicam, como o aluno pode aprender de maneira mais eficaz, além de outros aspectos ligados à situação de aprendizagem, envolvendo o aluno, o professor e a sala de aula. Logicamente, que neste processo não se exclui a compreensão do papel do professor.
Acompanhe a publicação dos ensaios dos alunos enquanto expositores das subtemáticas do Seminário O fazer pedagógico: contribuições da Psicologia.

Subtemática 1:
O ensino como pratica interativa: a sintonia com o aluno real e com a diferença – expositor Robert Bello.

Subtemática 2:
Os fundamentos psicológicos: contribuições para o PPP – Lucirene Almeida.

Subtemática 3:
Descompromisso e despersonalização do professor: a Síndrome de Burnout – Célia Regina R. Sousa.

Subtemática 4:
Formação Continuada e práticas coletivas – Zenilde.

Subtemática 5:
Currículo aberto à Pluralidade Cultural e ao Multiculturalismo – Edmilson Rodrigues dos Santos.

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O ensino como prática interativa: a sintonia com o aluno real e com a diferença.
Aluno Robert Bello

O processo de educação não é um processo estático e o ensino aprofundou a questão da interação entre professor e aluno como forma de combater o pré-julgamento do outro, pois segundo BREGUCCI é “competência nuclear do educador, a capacidade de instaurar novos espaços de intersubjetividade e interlocução no contexto da comunidade, a escola e da sala de aula”.
A relação entre professor e alunos a partir da abordagem tradicional relembram posturas onde a figura do professor autoritário e de alunos que oscilavam entre apatia, agressividade e descompromisso com os estudos. Em contrapartida, quando a postura é democrática o cenário aponta para a autonomia do aluno frente a aprendizagem.
Nesta relação tanto professor e aluno são pessoas concretas, com preocupações e problemas, defeitos e qualidades e em formação, devendo traduzir, sobretudo, sintonia com o aluno real e com a diferença. Diferenças de desempenho ou de aprendizagem, os fracassos, as dificuldades de aprendizagem contextualizadas a partir da categoria sociais ou provenientes de atropelamentos de ordem afetiva ou relacional.
O educador e os demais profissionais da escola devem favorecer o desenvolvimento e aprendizagem de forma harmoniosa e equilibrada, orientando mais, sendo mais afetivo, trazendo o aluno para o processo.

BREGUNCI, Maria das Graças. Professores mutantes para alunos mutantes. (texto não publicado).
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Os fundamentos psicológicos: contribuições para o PPP.
Lucirene Almeida

A fragmentação curricular e a exigência de um perfil polivalente para o professor encontram forte contraponto em estratégias que valorizam projetos pedagógicos integradores, interdisciplinaridade e transversalidade nos currículos, configurando-se um novo fazer pedagógico e administrativo.
Este fazer pedagógico deve ser democrático, exigindo um novo perfil do profissional, pois como afirma BREGUNCI “são direções que exigem um perfil de competência, um olhar teórico reflexivo e uma escuta sensível do outro”. O caráter democrático do fazer pedagógico pode traduzido na elaboração do Projeto Político Pedagógico, pois envolve em sua gênese todos os funcionários no conjunto de professores, alunos, pais e a comunidade onde a escola está inserida, destacando o aluno como o foco das ações e a participação de todos como fundamental para o processo coletivo.
A equipe deve estar predisposta em atuar efetivamente em todas as fases da elaboração, colocando literalmente “a mão na massa”. O papel do Colegiado Escolar também é estratégico na operacionalização do fazer pedagógico da escola, devendo haver flexibilidade de horários nas reuniões de elaboração possibilitando a participação dos de todos funcionários, inclusive dos que trabalham no turno da noite.
O PPP deve ser elaborado a partir dos pressupostos pedagógicos, pois dentre o imenso volume de informações existentes, o que é realmente fundamental? (demandas sociais - marco teórico); psicológicos – para quem estamos preparando esse currículo? (características dos estudantes) e epistemológicos – de que modo faremos a transposição didática da ciência para o ensino? (ordenação lógica, pré-requisitos, etc…).
Nestes termos, quando são elencados os fundamentos psicológicos no PPP é definida claramente a concepção sobre o processo de aprendizagem e sobre a passagem que os sujeitos fazem de um estágio de menor conhecimento para um estágio de maior e mais sofisticada atividade mental.

BREGUNCI, Maria das Graças. Professores mutantes para alunos mutantes. (texto não publicado).
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Descompromisso e despersonalização do professor: a Síndrome de Burnout.
Célia Regina Sousa

Saúde e qualidade de vida são temas que estão presentes hoje na família, na escola, no trabalho e nos meios de comunicação, constituindo-se preocupações com a qualidade de vida frente aos ataques cotidianos das pressões ambientais.
Sucumbir ao infarto, ser acometido pelo AVC, padecer cronicamente de dores musculares, cefaléias, estresse, representando formas de vida e morte que as pessoas não querem para si. A saúde é um bem essencial e diferente de outros tempos em que se colocava ao sujeito a responsabilidade pelo seu adoecer, cabendo perguntar: de quem é a responsabilidade pelo adoecer? É da pessoa ou do ambiente no qual está inserida?
A instabilidade emocional traz uma forte tensão causadora de doenças, existindo a perspectiva bio-psico-social em que equipes multidisciplinares empenhadas com a promoção de ambientes saudáveis onde a responsabilidade social das empresas favoreça a qualidade de vida no trabalho por meio de rotinas menos estressantes permeadas com a redefinição de espaços com momentos para o relaxamento.
Em contrapartida, existem outras que sobrecarregam com tarefas os ambientes de trabalho, favorecendo o aparecimento de doenças laborais nos trabalhadores que não conseguem manter o equilíbrio emocional.
Casos comuns podem ser encontrados na educação onde tem se avolumado queixas em torno da exaustão emocional dos professores, especialmente do ensino fundamental e médio que podem configurar o que a Psicologia do Trabalho designou de “Burnout”, um tipo de doença chamada de Síndrome do Desgaste Profissional ou Síndrome de Burnout.
A Síndrome de Burnout começou a ser estudada no início da década de 70 por Freudenberg e Maslach Burnout observando pessoas que trabalham em serviços que envolviam contatos humanos e cuidados de saúde profissional com características de estresse emocional e interpessoal. A palavra burnout em inglês serve para designar “perda do fogo” ou “queimar todo o gás” ou “perda do envolvimento com o trabalho é considerado o nível mais alto do estresse e atinge profissões que implicam relações afetivas, podendo causar tanto danos psíquicos, quanto físicos.
Neste ponto, destacam-se os sintomas principais da Síndrome de Burnout: exaustão emocional – esgotamento da energia e dos recursos emocionais do profissional, devido ao excessivo contato com determinados problemas, em um contexto de total impotência diante dos mesmos; despersonalização extrema – desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas em relação as pessoas destinatárias do trabalho profissional (usuários, pares, clientes, alunos); baixa realização pessoal – auto-avaliação negativa, falta de motivação para o trabalho.
Há uma forte relação entre desprestígio da profissão (remuneração precária, excesso de carga de trabalho, baixa qualificação, dentre outros) e casos de Síndrome de Burnout entre educadores. Tal relação é traduzida em estresse nas relações interpessoais entre alunos, professores e seus pares.
Uma vez identificadas possíveis fontes de Burnout entre a categoria de educadores e no âmbito do trabalho de um modo geral cabe aplicar algumas estratégias, visando a prevenção da doença, tais como: transformar os ambientes em locais saudáveis para se trabalhar, desenvolvendo as modificações necessárias nas relações, condições e organização de trabalho; propiciar o fortalecimento pessoal e coletivo, desenvolvendo capacidades para lidar com o estresse, promovendo a valorização pessoal e grupal, controlando as situações de conflito, modificando o contexto e canalizando necessidades e aspirações; implementar recursos recursos pessoais e ambientais, proporcionando melhorias na qualidade de vida dos docentes.
Fica evidente que o antídoto para a Síndrome de Burnout deve ser buscado na mesma fonte da doença, rompendo-se o imobilismo e as resistências por meio da gestão participativa, projetos construídos e reconstruídos pelo coletivo, favorecendo o engajamento político-pedagógico para assegurar identidade e flexibilidade para mudanças. A escola como local de interlocução entre os pares, funcionando como “espelho” para as práticas pedagógicas com relações competentes, afetivas e democráticas, porém firmes e consistentes entre professores e alunos.

BREGUNCI, Maria das Graças. Professores mutantes para alunos mutantes. (texto não publicado).
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Formação Continuada e práticas coletivas.
Zenilde Gomes Pedroso de Almeida

No processo de produção do conhecimento não se deve dissociar o desenvolvimento da aprendizagem. Durante o processo de reconstrução do conhecimento ocorre uma interdependência e articulação entre desenvolvimento e aprendizagem, pois segundo GOMES “o processo de construção do conhecimento, que não é linear nem progressivo, dá saltos e reviravoltas”.
O profissional da educação deve entender este pressuposto para que possa combater a perspectiva individualista e solitária das práticas de formação de educadores. É preciso romper com a tradição pedagógica ainda presente em nossas escolas.
O professor-pesquisador buscará com seus pares, meios para superação dos fracassos na aprendizagem, articulando projetos ou propostas institucionais comprometidas com o sucesso dos alunos em um movimento de mudança. Trata-se do profissional mobilizado pelas demandas apontadas pela própria prática, sendo incompatível com planos, diretrizes ou titulação compulsória.
Nestes termos, a busca de atualização constante é um longo processo, indo além da graduação e da pós-graduação. Atualizar-se para atuar coletivamente torna-se necessário o envolvimento de todos legitimados pelo Projeto Político Pedagógico da Instituição.

BREGUNCI, Maria das Graças. Professores mutantes para alunos mutantes. (texto não publicado).
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Currículo aberto à Pluralidade Cultural e ao Multiculturalismo.
Edmilson Rodrigues

A figura do aluno passivo quase sempre está relacionada com a figura de aluno descomprometido como o processo de aprendizagem, apontando o currículo como fonte de propostas para aproveitamento da realidade da comunidade, partindo das necessidades dos alunos.
O perigo da exacerbação do processo pedagógico abre espaço para toda espécie de problema emocionais, dentre eles a Síndrome de Burnout, concordando que não pode haver educação sem interação.
A busca de respostas visando sobre a eficácia do trabalho pedagógico implica em um currículo aberto à pluralidade cultural e ao multiculturalismo onde professores capacitados e em sintonia com o avanço tecnológico e científico, pois para que a mudança aconteça requer que estejamos preparados com a formação de cidadãos comprometidos, conscientes dos seus direitos e cumpridores dos seus direitos.
A noção de cidadania, a preservação da natureza, a educação sexual, a pluralidade cultural devem fazer dos estudos acadêmicos nas escolas, não bastando preparar para o mercado de trabalho, devendo contribuir para a formação de cidadãos honestos e sem preconceitos.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais apontam para a transversalidade do currículo. No Brasil existe hoje integrantes de 206 etnias indígenas que com imigrantes e descendentes de vários outros povos com religiões e tradições numa miscigenação que originou e diversificou a “cara do Brasil”, destacando a beleza desta diversidade em relação a outros povos. Tornam-se urgentes, portanto, novas posturas entre docentes e educandos.
O tema sexualidade foi introduzida ao pedir lembranças dos tempos atrás onde a vestimenta e os costumes lembravam pouco da “liberação sexual” da atualidade. Em contrapartida ainda hoje o tema sexualidade trata-se de um tabu em muitas famílias e escolas. Nestas alguns professores ainda ficam ruborizados frente à temática, acrescentando-se o problema da gravidez precoce ou indesejada. Além das Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Apontando-se como alternativa propõe saúde, informação e conhecimento frente ao problema da desinformação e do descaso. Cita Perrenout que afirma que “docência é uma profissão relacional complexa, em que a pessoa inteira é mobilizada e cada momento ou em cada ação desencadeada, conhecimentos e afetos são mobilizados e mudanças ocorrem de parte a parte nos sujeitos envolvidos na relação.”

BREGUNCI, Maria das Graças. Professores mutantes para alunos mutantes. (texto não publicado).
PLACCO, Vera Maria Nigro S. Relações Interpessoais em sala de aula e desenvolvimento pessoal de aluno e professor. In: ALMEIDA, Laurinda R.; PLACCO, Vera M.N. (Org.) As relações interpessoais na formação de professores. São Paulo: Loyola, 2002, p. 7-19.

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